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Lula desafia Flávio a abrir sigilos, mas mantém mais de 3 mil sigilos de 100 anos

No debate da Band, Lula propôs abrir contas e telefones, enquanto seu governo negou 3.210 pedidos via LAI e gastou R$ 38,3 milhões sigilosos no cartão.

Por Redação Poder BR 4 min de leitura
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Lula desafia Flávio a abrir sigilos, mas mantém mais de 3 mil sigilos de 100 anos
Foto: Reprodução/Metrópoles

Em 30 segundos

  • Lula desafiou Flávio Bolsonaro no debate da Band em 18/10 a abrir sigilos bancário e telefônico das famílias antes do 2º turno.
  • Governo Lula negou 3.210 pedidos via LAI com sigilo de dados pessoais entre janeiro de 2023 e dezembro de 2024.
  • Gastos sigilosos do cartão corporativo somaram R$ 38,3 milhões até outubro de 2024, acima do governo anterior.
  • Lista de visitantes de Janja e relação de militares do 8 de janeiro de 2023 estão entre os documentos sob sigilo.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou o debate da Band, em São Paulo, no domingo (18/10), para propor que ele e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) liberem informações bancárias e telefônicas de seus familiares antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro. O petista defendeu que os dois entreguem a documentação ao comando do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral para exame prévio, após um embate com acusações mútuas sobre corrupção.

O desafio lançado no debate

O momento ocorreu quando se discutia a atuação da família Bolsonaro ligada aos Estados Unidos, com menção a terras-raras e minerais estratégicos explorados por companhias americanas. Flávio disse que nunca atuou por tarifas contra produtos nacionais e que viajou para defender firmas do país. Lula cobrou resposta sobre um imóvel citado por ele e voltou a insistir na quebra de sigilos ao final do programa.

Eu desafio você. Eu e você, amanhã, abrimos a nossa conta bancária, abrimos o nosso sigilo telefônico para que o povo brasileiro saiba quem é ladrão desse país

Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República

Segundo avaliação publicada pelo Metrópoles, a oferta rende pouco efeito prático para o atual mandatário. Nos bastidores, ele é descrito como alguém que evita telefone móvel, sem linha própria e sem aplicativo de mensagens. A adesão a fotos feitas com aparelhos só teria ocorrido já na disputa presidencial em curso, depois de um primeiro turno desfavorável diante do nome do PL. Nos contatos com autoridades, ele costuma recorrer a telefones emprestados por assessores, a exemplo do antigo chefe de gabinete Marco Aurélio Santana, o Marcola, nome que ficou fora do repto ao senador.

O mesmo texto considera ilusória a expectativa de encontrar irregularidade em extratos pessoais do chefe do Executivo. A avaliação lembra que repasses indevidos não costumam passar por contas tituladas pelos próprios políticos e que operações atípicas de agentes expostos são monitoradas por mecanismos como o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O caso do filho Fábio Luís da Silva, o Lulinha, é citado: dados financeiros dele examinados na CPMI do INSS ganharam espaço na mídia sem apontar achado relevante, embora ele responda a apurações no STF ligadas à lobista Roberta Luchsinger.

Mais de 3 mil negativas e cartão sigiloso

Em contraste com o gesto oferecido no palco, seguem trancados arquivos que, na visão da análise, teriam maior valor para demonstrar lisura. Levantamento divulgado pelo Globo aponta 3.210 respostas que barraram acesso via Lei de Acesso à Informação sob alegação de proteção a dados pessoais, no intervalo de janeiro de 2023 a dezembro de 2024. O volume supera em 8,4% as 2.959 recusas do mesmo recorte de tempo na gestão de Jair Bolsonaro.

  • entradas e encontros registrados para a primeira-dama Janja;
  • identificação de militares mobilizados nos episódios de 8 de janeiro de 2023;
  • papelada sobre eventual conflito de interesses do ministro Alexandre Silveira;
  • 702 bloqueios referentes ao Enem, fatia de 21% do total mantido em reserva.

As faturas reservadas do cartão da Presidência também avançaram. O montante chegou a R$ 38,3 milhões até outubro de 2024, patamar 9% maior que os R$ 35,04 milhões da primeira metade do governo anterior, já com correção inflacionária. A explicação apresentada pelo Palácio atribuiu a elevação ao roteiro externo do mandatário, com 63 dias passados fora da capital federal em 2023.

Promessa de 2022 não cumprida

A transparência cobrada poderia incluir, por exemplo, a divulgação de quem frequentou a residência oficial do Alvorada durante o mandato, o que permitiria verificar a presença de Luchsinger e de nomes como Daniel Vorcaro. Outro conjunto útil seria o rol de acompanhantes nos deslocamentos em aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB), para esclarecer quem conviveu com o presidente em viagem. O Executivo anuncia estudos para encerrar a reserva centenária, mas a minuta enviada pela CGU à Casa Civil preservaria a blindagem sobre Janja, que mantém estrutura e assessoria no Planalto e exerce ascendência sobre áreas, sem ocupar função formal.

Para recusar agenda, visitas no Alvorada e custos de proteção da primeira-dama, o argumento corrente é resguardar informações íntimas. Críticos ouvidos consideram frágil a fundamentação e veem repetição do padrão antes condenado. Na prática, a medida mais relevante seria honrar o compromisso assumido na eleição de 2022 de pôr fim à reserva de um século e ampliar a visibilidade dos atos oficiais.

Fontes

Os fatos desta notícia vêm destes veículos:

  • Metrópoles “Análise: desafio real para Lula é abrir sigilo de suas visitas”

Texto escrito com apoio de inteligência artificial a partir das fontes citadas e revisado pela redação. A apresentação em vídeo é gerada por IA.

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